Grupo Paroquial de Romeiros

 
Os romeiros na vida Paroquial
Uma romaria é sem dúvida um acto de fé que nos marca e que muitas vezes deixa-nos de tal forma marcados e invadidos por uma alegria interior e exterior, que nós não sabemos explicar.
Quando termina a nossa romaria, ou melhor dizendo, a nossa caminhada, sentimo-nos cheios. O nosso coração vem cheio de paz interior, de oração, de fé e muito amor, para dar-mos aos nossos ente queridos, e muitas vezes até nos tornamos noutra pessoa.
E agora podeis dizê-lo, «não pelo que ouvistes, mas porque vós próprios pudestes comprovar» (Jo. 4, 42).
Não tenho dúvidas de que ides para vossas casas e ambientes, com o desejo sincero e propósito decidido, de serdes fiéis de tudo o que vistes e ouvistes.
É pena que passados aqueles inesquecíveis dias, a vida volte ao que era dantes.
Depois de passada a Quaresma, nota-se um ligeiro “arrefecimento” ou melhor dizendo, um afastamento da Igreja.
Começa-se a ir menos vezes à Missa, os irmãos deixam-se de se ver regularmente e perde-se a mística e espírito da romaria. Voltamos à vida quotidiana. As nossas fraquezas começam a aparecer e é então que nos surgem umas afirmações, que a grande maioria de nós já ouviu:
  • “Isto foi o que aprendeste na romaria!” ou ainda
  • “que belo romeiro és tu!”.
Irmãos e amigos, muitas vezes é a realidade, o que é preciso é nunca deixar arrefecer aquela chama que trazemos da nossa romaria. E a melhor maneira de a manter-mos acesa é alimentá-la.
E como podemos alimentá-la?
  • Primeiro que tudo, indo à missa;
  • Fazer sempre um pós-romaria, para dialogar, conviver, para falar do bom e do menos bom da romaria.
  • Fazer com regularidade, umas pequenas reuniões ou se preferirem encontros de convívio, nunca esquecendo uma oração.
Se fizerdes isso, ireis ver que a chama irá manter-se acesa, por muito tempo, e quiçá, todo o ano.
Uma outra questão que se coloca é:
Até que ponto a romaria muda a nossa vida?
Depois de todo aquele esforço físico, de muita oração, de muita meditação, depois de fazermos a retrospectiva da nossa vida, temos de por em prática, o que de bom aprendemos, na romaria da nossa vida.
A nossa vida, deve ser um espelho da nossa romaria.
Ao irmos de romeiro, devemos sentir uma responsabilidade acrescida como cristãos e principalmente na nossa atitude diária perante o próximo, nos nossos lares, trabalho, etc. Porque como já citei, o romeiro é logo apontado nas suas falhas.
A romaria não pode, nem dever ser encarada como passeio, como passatempo, como desporto ou como vaidade. Deve antes ser encarada como um acto sério, de gente séria e de um movimento sério da Igreja.
Mas irmãos, não basta sermos bons cristãos. Se nós limitarmo-nos apenas a isso, não estamos a contribuir em nada, para a nossa paróquia, não colaboramos em nada pelo bem da nossa Comunidade.
Temos que ser fiéis à nossa Igreja. Note-se que o Vaticano II define o ser fiel à Igreja, pela pertença activa a ela, pondo de lado a visão passiva e negativa que anteriormente predominava.
No livrinho do nosso regulamento, o Bispo D. António, na apresentação do mesmo, refere precisamente este aspecto, e cito: «há a tentativa de assinalar um caminho, para fazer frutificar o espírito das romarias nas comunidades paroquiais e ao longo de todo o ano», (fim de citação).
É neste sentido irmãos, que o Grupo Paroquial de Romeiros torna-se importante na manobra dos problemas da nossa Comunidade.
Tem que haver maior diálogo com o nosso Pároco, conversar com ele, saber das necessidades da paróquia, e fazê-lo perceber que estamos disponíveis para o ajudar na sua missão.
Também sei, e sabemos todos, que por vezes há divergências entre romeiros e Padres. Há que dizê-lo, que em alguns casos, a causa não está nos romeiros. Mas deixemos de lado o nosso orgulho e sejemos nós, a dar o primeiro passo.
Como sabeis, uma Paróquia é composta por muitos movimentos, nomeadamente, a catequese, a Legião de Maria, os Ministros da Comunhão, Leitores, Grupos Corais, etc. Mas esquecemo-nos que os Romeiros também são um movimento da Igreja, devemos ter uma missão activa e construtiva na Paróquia, pelo bem e pela unidade da nossa Igreja, daí a importância da criação do Grupo Paroqu

Nós sabemos que não é fácil reunir os romeiros depois da romaria. Mas à que tentar, sempre que possível, reunir os romeiros durante o ano, e verão que vale a pena.

 Certamente muitos de vós já estão inseridos noutros movimentos, dedicam-se à Igreja e preocupam-se com a vossa Paróquia, mas infelizmente ainda à romeiros, que:
  • Depois da romaria não vão missa;
  • Não procuram a Igreja;
  • Durante as Festas, não incorporam as Procissões, limitando-se apenas a ver passar a Procissão de mãos cruzadas;
  • Não vão às cerimónias religiosas;
  • Não vão às formações religiosas, nomeadamente os cursos bíblicos, etc.
É por essas e por outras, que muitas vezes somos chamados romeiros de oito dias.
À muitas coisas que podemos fazer pela nossa Paróquia, basta apenas consultar o nosso Pároco.
Temos que ser criativos, criar actividades e pô-las em prática, demonstrando à Comunidade, que estamos “vivos”, como por exemplo:
  • Durante a Quaresma organizar uma Via-sacra;
  • Animar as Eucaristias, principalmente nas Paróquias que não têm grupos corais;
  • Organizar momentos de oração;
  • Ajudar nas Festividades das nossas Paróquias;
  • Incorporarmo-nos nas Procissões da nossa Paróquia;
  • Usar da caridade para com os necessitados;
  • Entre muitas coisas;
As romarias devem ser uma rampa de lançamento para a incorporação dos romeiros nos movimentos da Igreja.
Há variadíssimas coisas que podemos fazer pela nossa Paróquia, basta que o Rancho seja unido, que os irmãos sejam unidos, e que se reúnam com regularidade, para assim conversarem das realidades Paroquiais.
Nós romeiros, devemos ser verdadeiros Leigos na nossa Igreja, membros activos nas nossas Paróquias.
O Papa João Paulo II, no documento, “Vida Consagrada”, dedica três elementos essenciais na vida de um Leigo, a comunhão, a colaboração e a participação.
Diz o documento que os diversos membros da Igreja, como comunhão, podem e devem juntar esforços, em atitude de colaboração e de intercâmbio de dons, com o fim de participar mais eficazmente na missão eclesial, em que religiosos e leigos, são duas componentes muito ricas, que têm muito a aprender um com o outro, actuando em coordenação mútua.
Nós romeiros, devemos ser verdadeiras pedras vivas.
Sei que isto não é fácil irmãos, e falo por mim e pelo nosso Rancho, sei das dificuldades de reuni-los, mas só com um esforço por parte dos Mestres e responsáveis, conseguimos fazer algo.

No nosso Rancho, em Vila Franca, graças a Deus já fazemos alguma coisa pela nossa Paróquia. Criamos à dois anos um Grupo Coral, com alguma dificuldade é verdade, mas começou a atrair a admiração das pessoas, algumas até chamam “Missa dos romeiros”. Começamos por cantar uma vez por mês, mas com o passar dos tempos, os próprios romeiros começaram a gostar da ideia, e hoje, o nosso rancho anima a Eucaristia com grande regularidade.
Para além disso fazemos algumas actividades, organizamos uma Via Sacra na Quaresma, participamos e organizamos algumas Procissões da Paróquia, fazemos uma romaria a Nossa Senhora da Paz aquando da sua Festa, organizamos umas visitas ao Lar para convívio com os idosos e pelo Natal organizamos uns cabazes para oferecer a instituições de caridade, este ano destinados às Irmãs Clarissas e à Casa do Gaiato.

 
Não foi fácil de início fazer todas estas actividades, foi necessário ir ao encontro dos romeiros, avisá-los, e principalmente sensibilizá-los nas reuniões de preparação.
Termino a minha intervenção com uma passagem da Bíblia, da segunda carta de Pedro, Capítulo 1, versículo 3 a 11, quando ele se refere aos Dons recebidos de Deus, que espelha bem o que devem ser os romeiros na vida Paroquial, que cito:

“(...) Aquele que nos chamou pela sua glória e pelo seu poder, concedeu-nos todas as coisas que contribuem para a vida e a piedade. Com elas, teve a bondade de nos dar também, os mais preciosos e sublimes bens prometidos, a fim de que, por meio deles, vos torneis participantes da natureza divina (...).
Por este motivo, é que da vossa parte, deveis pôr todo o empenho em juntar: à vossa fé, a virtude; à virtude, o conhecimento; ao conhecimento, a temperança; à temperança, a paciência; à paciência, a piedade; à piedade, o amor aos irmãos; e ao amor aos irmãos, a caridade.
Se tiverdes estas virtudes, e elas forem crescendo em vós, não ficareis inactivos (...) relativamente ao conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. E quem não tiver estas virtudes, é um cego, que mal pode ver e que deixou cair no esquecimento a purificação dos seus pecados (...).
Por isso, meus irmãos, ponde o maior empenho no fortalecimento da vossa vocação e eleição. Se assim procederdes, jamais haveis de fracassar e se vos há-de de abrir de par em par, a entrada para o reino eterno de Nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.” (fim de citação)
Uma santa romaria para todos.
Seja bendita e louvada a Sagrada Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Vila Franca do Campo, 20 de Janeiro de 2008
Irmão Carlos Vieira